Poesia Sobre
O Cego Bartimeu
"À beira do caminho, em Jericó,
Um homem entregue à própria sorte e ao pó,
Bartimeu, que no escuro habitava,
Pelo som do mundo a vida tateava.
Sem ver a luz do sol, sem ver a flor,
Vivia de esmolas, de sombra e de dor.
Mas um dia o silêncio do seu caminhar
Foi quebrado por passos que vinham chegar.
A multidão rugia, o chão tremeu,
E o cego, atento, logo percebeu:
Não era um cortejo comum a passar,
Era o Mestre da vida que vinha salvar.
Ao ouvir que Jesus de Nazaré vinha ali,
Uma chama de esperança nele eu vi.
Rompeu o silêncio, rasgou o clamor,
Gritando bem alto, vencendo o temor:
— Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
Olha para a minha dor, não me deixes assim!
A multidão, severa, o tentou calar:
"Cala-te, cego, deixa o Mestre passar!"
Mas quanto mais tentavam seu grito conter,
Mais forte ele clamava, com todo o seu ser:
— Filho de Davi, tem compaixão de mim!
E o passo do mestre, que o mundo conduz,
Parou diante do grito que pedia luz.
Jesus ordenou: "Chamai o homem aqui."
E a voz do deserto mudou para si:
"Coragem, levanta! Ele chama por ti."
A capa de esmolas ele logo lançou,
Deu um salto no escuro e se aproximou.
E a voz mais doce que o mundo já ouviu,
No meio do caos, para ele se abriu:
— "O que queres que eu te faça?" — perguntou o Senhor.
E o cego, tremendo de fé e amor,
Não pediu ouro, nem prata, nem pão,
Pediu o milagre da restauração:
— Mestre, que eu volte a ver!
— "Vai, a tua fé te salvou" — disse a Luz.
E o véu da cegueira sumiu perante Jesus.
O primeiro vislumbre da nova alvorada
Foi o rosto dAquele que encerrou a jornada.
E Bartimeu, que antes à beira sentava,
Agora, liberto, com o Mestre caminhava."