Seria, porém, injusto e inadmissível que o médico
se desinteressasse totalmente, esperando um dia ter ao alcance
da mão a solução completa, uma vez que
a questão da cura do câncer, conforme diz o melhor
especialista desta doença na Alemanha, o Dr. K.
H. Bauer, não é só o mais «urgente
problema da Medicina atual», mas também o que
exige uma completa colaboração entre o médico
e o doente, se em cada caso individual se quiser tornar possível
o êxito.
Por isso, antes de nos referirmos à questão principal sobre as causas da
doença, ou sobre os meios de cura dentro da alimentação, apresentaremos algumas imprescindíveis observações prévias.
Como Imaginamos a Formação do Câncer -- Os nossos
conhecimentos sobre a formação inicial da deformação celular cancerosa não se
baseiam até hoje em motivos claros nem seguros. Sabemos, contudo, que intervém
toda uma série de fatores internos ou externos que podem, pela sua intensidade,
exercer um efeito rápido e ativo ou degenerador e lento, irritando as células na
sua vida, até ao ponto de as levar a manifestações vitais de caráter destrutivo.
Supõe-se que este processo não afeta a própria célula, nem o seu
dispositivo multiplicador, nem muitas das suas funções. Mas leva a uma
insuficiente diferenciação e, ao mesmo tempo, a um desenfreamento das suas
energias de desenvolvimento, que já não é capaz de fazer retroceder. Produz-se,
assim, uma nova <<raça celular» que, seguidamente, se vai sempre
diferenciando da sua célula originária e que começa o seu crescimento destruidor
conforme as suas próprias formas.
Causas Produtoras de Câncer -- Entre essas causas conhecemos o
alcatrão como fator provocador de câncer em diversos grupos profissionais, como
limpa-chaminés, operários que trabalham com pez e asfalto, pescadores,
cordoeiros, foguistas e tecelões de algodão. A este respeito temos de citar o
alcatrão do tabaco como causa do câncer. O câncer da laringe é devido em 95% dos casos ao câncer do fumante, e 80 a 90% de todos os casos
de câncer bronquial encontram-se em fumantes.
Também entre as combinações químicas da anilina se encontram numerosas
matérias que provocam o câncer, entre elas o corante azóico chamado vermelho
escarlate, que também se encontra no amarelo da manteiga, que durante muito
tempo se empregou na coloração artificial, tanto da manteiga como da margarina.
Sabe-se, hoje, que pode provocar o câncer no fígado e na vesícula. Outras
combinações de anilina produzem câncer de bexiga.
O arsênico é, igualmente, uma matéria que deve ser manipulada em todas as
suas combinações com o maior cuidado. O câncer de arsênico é freqüente entre os
operários que estão em contato com corantes de arsênico, minerais arsênicos e
inseticidas.
Entre as combinações de benzol que a técnica emprega com freqüência
extraordinária, encontram-se os principais agentes do câncer. Felizmente, a
nossa alimentação raríssimas vezes os contém.
Já de há muito que se sabe, também, que todas as radiações de comprimento
de onda mais curto que a luz visível provocam o câncer. É assim que nascem, devido
ao efeito prolongado e intenso de radiações ultravioleta, o câncer da luz nos
camponeses e nos marinheiros, o câncer de raios X nos médicos e noutras pessoas
freqüentemente a eles expostas, e o câncer de pulmão nos
operários de minas de rádio, expostos muito tempo às suas emanações.
Localização Orgânica dos Tumores -- A maior parte dos fatores
gerais do câncer procedentes do nosso meio-ambiente vão, como é natural, parar
primeiramente na pele, como fronteira exterior do nosso organismo, ou em
superfícies celulares que envolvem e cobrem os órgãos interiores ou que se
converteram em glândulas, isto é, praticamente, em todas as mucosas e glândulas.
Embora estes tecidos constituam 17,5% do nosso organismo completo, neles
se produzem 92% dos tumores, o que indica, precisamente, que os ditos tecidos
são os mais expostos às lesões procedentes do exterior.
Condições Orgânicas no Aparecimento do Câncer -- Normalmente,
existem já no corpo matérias estreitamente relacionadas com o elemento que,
segundo os conhecimentos atuais, é a causa mais ativa do câncer, o
metilcolantreno. São, antes de mais, os ácidos biliares, a colesterina e os
hormônios das glândulas sexuais. Naturalmente, tudo isto favorece a idéia da
possibilidade de uma formação cancerosa por matérias insuficientes ou mal
formadas, próprias do organismo.
Outros investigadores verificaram uma curiosa coincidência entre a
escassez de potássio e as lesões cancerosas nas plantas e nos seres humanos.
Noutro estudo, verifica-se que os cancerosos mostram um predomínio do sistema nervoso
vegetativo com insuficiência simultânea do simpático, com as correspondentes
conseqüências para o equilíbrio de vitaminas, hormônios e fermentos e para o
meio ambiente físico-químico. Encontram-se, além disso, novas observações sobre
a relação entre o desenvolvimento do câncer e a função da glândula pineal.
Da mesma maneira podemos expor inumeráveis observações que apresentam um
grave transtorno metabólico nos doentes do câncer ou de outros tumores, sem que
até agora se possa dizer se estas mudanças foram causa de tumores malignos ou se
foi o câncer a origem destas alterações.
De qualquer modo, as observações e os resultados de investigações
clínicas até aqui realizadas levam à convicção de que por agora se conhecem
numerosos fatores externos ocasionadores do câncer, sobretudo em nossos
alimentos quando são desnaturalizados pelo cultivo não natural, por adubos não
biológicos, por conservação química, por branqueamento ou coloração artificiais,
Além disso, certos estados internos devidos a fenômenos metabólicos também
provocam ou facilitam a formação do câncer. Além destes dois grupos de causas,
fala-se hoje da influência hereditária como algo perceptível nas formações
cancerosas. Os numerosos resultados da investigação sobre gêmeos e das
experiências com animais acabaram com a teoria da «tendência congênita para o
câncer».
Essência Fundamental do Câncer -- O câncer é essencialmente
o protesto de grupos de células, a princípio pequenas, mas cada vez maiores,
contra a considerável deformação das condições naturais na vida das células,
contra a irritação e sobrecarga durante muitos anos, no interior e desde o
exterior, das suas funções naturais e das suas manifestações vitais, coincidindo
com a insuficiência das matérias ativas e regeneradoras imprescindíveis. O
câncer equivale a um absurdo motim dos oprimidos até ao suicídio; é a revolução
desesperada contra a irracionalidade humana.
No fundo, o câncer é um sintoma do nosso afastamento da Natureza, da
falta de sossego e de direção que adquire a sua expressão final no aspecto
corporal com a perda dos verdadeiros alimentos que nos são próprios