Clique para abrir o Menu

Dicionário e Enciclopédia Bíblica



O mais completo Dicionário Bíblico em Lingua Portuguesa - Mais de 2.600 termos e Nomes Bíblicos.
Saiba os Significados de Nomes na Biblia.

Escolha Abaixo no MENU a letra corespondente da palavra que procura para abrir

SAÚL
Chamado

Filho de Cis, da tribo de Benjamim e o primeiro rei da nação israelita. As circunstâncias providenciais relacionadas com a sua eleição como rei estão registadas em 1Sm 8-10. As jumentas do seu pai tinham-se perdido e Saúl foi enviado, juntamente com um criado, para as procurar. Deixando a sua casa em Gibeá (1Sm 10:5, “o outeiro de Deus”, V.A.; Lit., na V.R., “Gibeá de Deus”), Saúl e o seu servo dirigiram-se para noroeste, para a montanha de Efraim e depois, virando para nordeste, chegaram “à terra de Salisa”. Indo, então, mais para este, dirigiram-se à terra de Saalim, passando depois pela terra de Zufe, perto da casa de Samuel em Ramá (1Sm 9:5-10). Nesta altura, Saúl propôs-se a voltar para casa, após uma busca infrutífera, mas o seu servo sugeriu que fossem primeiro consultar o “vidente”. Ouvindo que ele estava prestes a oferecer um sacrifício, ambos se apressaram na direcção de Ramá e “eis que Samuel lhes saiu ao encontro”, a caminho do “bamah”, i.e., o “alto”, onde iria oferecer o sacrifício. E, em resposta à pergunta de Saúl: “Mostra-me, peço-te, onde está aqui a casa do vidente”, Samuel deu-se a conhecer. Samuel fora divinamente preparado para se encontrar com ele (1Sm 9:15-17) e recebeu Saúl como um convidado. Levou-o consigo para o sacrifício e depois da festa, “falou com Saúl sobre o eirado”, sobre tudo o que lhe ia no coração. No dia seguinte, Samuel “tomou um vaso de azeite e lho derramou sobre a cabeça”, ungindo Saúl como rei de Israel (1Sm 9:25-10:8) e dando-lhe sinais de confirmação do seu chamado para ser rei. Quando Saúl chegou a sua casa em Gibeá, o último destes sinais cumpriu-se. O Espírito de Deus veio sobre ele e “Deus lhe mudou o coração em outro”. O simples provinciano transformou-se no rei de Israel. Deu-se, repentinamente, uma mudança notável no seu comportamento e o povo perguntou admirado, ao observar o robusto filho de Cis: “Está também Saúl entre os profetas?” Um dito que se transformou num “provérbio” (comp. 1Sm 19:24).

O povo ainda desconhecia a conversa entre Saúl e Samuel. A “unção” tinha sido feita em segredo. Mas chegara o tempo em que deveria ser confirmada pela nação. Assim, Samuel reuniu o povo em assembleia solene “perante o Senhor” em Mizpá. Foram lançadas sortes (1Sm 10:17-27), que recaíram sobre Saúl e quando ele foi apresentado ao povo, o homem mais imponente de todo o Israel, o povo jubilou, dizendo: “Viva o rei!” Ele, então, voltou para sua casa em Gibeá, acompanhado por uma espécie de guarda-costas, “aqueles cujo coração Deus tocara”. Quando lá chegou, Saúl mandou-os embora e voltou à sua vida anterior.

Pouco depois disto, ao ouvir falar da conduta de Naás, o amonita, em Jabes-Gileade, formou um exército de todas as tribos de Israel, tendo-se reunido, a seu pedido, em Bezeque e ele os conduziu para a batalha, vencendo os invasores amonitas em Jabes (1Sm 11:1-11). Por entre a alegria geral originada por esta vitória, ele foi, então, completamente reconhecido como rei de Israel. A convite de Samuel, “todo o povo partiu para Gilgal e levantaram ali rei a Saúl perante o Senhor em Gilgal”. Samuel ungiu agora oficialmente a Saúl como rei (1Sm 11:15). Embora Samuel nunca tivesse cessado de ser juiz em Israel, a sua obra como tal praticamente terminou nesse momento.

Saúl empreendeu, então, a grande e difícil tarefa de libertar a terra dos seus inimigos filisteus e, para isso, juntou um exército de 3000 homens (1Sm 13:1,2). Os filisteus estavam acampados em Geba. Saúl, com 2000 homens, ocupou Micmás e a montanha de Betel; o seu filho Jónatas, com 1000 homens, ocupou Gibeá, a sul de Geba e, aparentemente sem qualquer indicação por parte do seu pai, “feriu” os filisteus em Geba. Derrotados, os filisteus, que tinham um exército de 30.000 carros e 6000 cavaleiros e “povo em multidão como a areia que está à borda do mar”, acamparam em Micmás e Saúl evacuou o seu exército para Gilgal. Saúl permaneceu em Gilgal durante sete dias, sem tomar qualquer atitude, tal como Samuel lhe dissera para fazer (1Sm 10:8); mas no sétimo dia, tornou-se impaciente à medida que se aproximava o fim do período estipulado por Samuel. Saúl decidiu, então, “oferecer ofertas pacíficas” e Samuel, quando chegou, avisou-o das consequências fatais da sua desobediência, pois ele não esperara o tempo suficiente (1Sm 13:13,14>>).

Quando Saúl, depois que Samuel se foi embora, partiu de Gilgal com os seus 600 homens, tendo os que o seguiam diminuido para este número (1Sm 13:15), a fim de lutar contra os filisteus em Micmás, o seu quartel-general situava-se sob uma romeira em Migrom, defronte a Micmás, tendo somente a separá-los a penha es-Suweinit. Saúl e o seu exército descansaram em Gibeá-Geba, sem saberam o que fazer a seguir. Jónatas ficou impaciente e, com o seu pajem de armas, planeou um assalto contra os filisteus, sem que Saúl e o seu exército soubessem (1Sm 14:1-25). Jónatas e o seu escudeiro subiram “com os pés e com as mãos” a estreita penha chamada Bozez, onde estava estacionado o exército filisteu. Eles surpreenderam e depois mataram vinte filisteus, que imediatamente se alvoroçaram e fugiram aterrorizados. “Houve tremor no arraial”; um pânico sobrenatural apoderou-se do exército. Saúl e os seus 600 homens, um grupo que rapidamente aumentou para 10.000 homens, apercebendo-se da confusão, perseguiram o exército filisteu e as notícias da batalha atingiram Bete-Aven, a meio caminho entre Micmás e Betel. Os filisteus foram totalmente destruídos. “Assim livrou o Senhor a Israel naquele dia”. Ao perseguir os filisteus, Saúl esconjurou irreflectidamente o povo, dizendo: “Maldito o homem que comer pão até à tarde”. Mas, embora exaustos e desconfiados, os israelitas “feriram, aquele dia, aos filisteus, desde Micmás até Aijalom” (uma distância entre 24 a 32 Km). Jónatas, ao passar por um bosque em perseguição dos filisteus, comeu um pouco de mel que ali havia em abundância (1Sm 14:27). Saúl soube disto mais tarde (1Sm 14:42) e ameaçou matar o seu filho. O povo, porém, interveio, dizendo: “Não lhe há-de cair no chão um só cabelo da sua cabeça”. Aquele a quem Deus tinha tão assinaladamente reconhecido, que “obrou tão grande salvação em Israel”, não devia morrer. “E Saúl deixou de seguir os filisteus e os filisteus se foram ao seu lugar” (1Sm 14:24-46); e, deste modo, terminou a campanha contra os filisteus. Este foi o segundo grande sucesso militar de Saúl.

O reinado de Saúl, contudo, continuou a ser uma quase constante guerra contra os inimigos à sua volta (1Sm 14:47,48), saindo sempre vitorioso. A guerra contra os amalequitas é a única que está registada (1Sm 15). Estes inimigos antigos (Ex 17:8; Nm 14:43-45) de Israel ocupavam o território a sul e a sudoeste da Palestina. Samuel convocou Saúl para que este banisse da terra este cruel e implacável inimigo de Israel, tal como Deus determinara (Dt 25:17-19). A taça da sua iniquidade estava cheia. Esta ordem era “o teste às suas qualificações morais para poder continuar a ser rei”. Saúl propôs-se a executar a ordem divina; e juntando o povo, marchou desde Telaim (1Sm 15:4) contra os amalequitas, que ele feriu “desde Havilá até chegar a Sur”, destruindo completamente “todo o povo ao fio da espada”, i.e., todos os que caíram nas suas mãos. Ele foi, contudo, considerado culpado de rebelião e desobediência, ao poupar Agague, o rei amalequita e ao se mostrar conivente com os seus soldados, que pouparam o melhor das ovelhas e das vacas; e Samuel, seguindo Saúl até Gilgal, no Vale do Jordão, disse-lhe: “Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, Ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (1Sm 15:23). O reino foi retirado a Saúl e dado a outro, a David, a quem o Senhor escolhera como sucessor de Saúl e a quem Samuel ungiu (1Sm 16:1-13). A partir desse momento, “o espírito do Senhor se retirou de Saúl e o assombrava um espírito mau da parte do Senhor”. Ele e Samuel separaram-se para só se encontrarem novamente numa das escolas dos profetas.

David foi mandado chamar, por ser um habilidoso tocador de harpa (1Sm 16:16,18), para que tocasse perante Saúl, quando o espírito maligno o perturbasse e foi, assim, apresentado na corte de Saúl. David tornou-se no favorito do rei. Mais tarde, David voltou para casa do seu pai e para a sua ocupação habitual como pastor, durante, talvez, cerca de três anos. Os filisteus mais uma vez invadiram a terra e reuniram o seu exército entre Socó e Azeca, em Efes-Damim, na vertente sul do Vale de Elá. Saúl e o povo de Israel saíram ao encontro deles e acamparam na vertente norte do mesmo vale, que agora se encontrava entre os dois exércitos. Foi aqui que David matou Golias de Gate, o campeão dos filisteus (1Sm 17:4-54), um empreendimento que levou à fuga e derrota total do exército filisteu. Saúl admitiu David permanentemente ao seu serviço (1Sm 18:2), embora se tornasse ciumento por causa dele (vers. 1Sm 18:9) e em muitas ocasiões mostrasse a sua inimizade para com ele (<<1Sm 18:10,11), inimizade essa que Saúl levou ao extremo de tentar, em vão, matar David em várias ocasiões.

Algum tempo depois, os filisteus reuniram-se na planície de Esdraelon e acamparam em Sunem; e Saúl reuniu todo o Israel e “acamparam-se em Gilboa” (1Sm 28:3-14). Sendo incapaz de saber qual era a vontade de Deus, Saúl, acompanhado por dois dos seus homens, dirigiu-se à “pitonisa de Endor”, a cerca de 11 ou 12 Kms de distância. Aqui, ele deixou-se dominar pela aterradora comunicação que lhe é misteriosamente transmitida por Samuel (1Sm 16 a 19), que lhe terá aparecido. “E imediatamente Saúl caiu estendido por terra e grandemente temeu por causa daquelas palavras de Samuel” (1Sm 28:20). O exército filisteu pelejou “contra Israel; e os homens de Israel fugiram de diante dos filisteus e caíram atravessados na montanha de Gilboa “ (1Sm 31:1). Desesperado por causa da desgraça que sobreviera ao seu exército, “Saúl tomou a espada e se lançou sobre ela”. Os filisteus, no dia seguinte, “acharam a Saúl e a seus três filhos estirados na montanha de Gilboa”. Tendo-lhe cortado a cabeça, enviaram-na, juntamente com as suas armas, pela terra dos filisteus e puseram as suas armas no templo de Dagom, em Asdode. Suspenderam o seu corpo sem cabeça, juntamente com o de Jónatas, no muro de Bete-Sã. Os homens de Jabes-Gileade retiraram depois os corpos do muro, queimaram-nos e sepultaram os ossos sob o arvoredo de Jabes. Os restos mortais foram, contudo, depois transferidos para o sepulcro da família em Zelá (2Sm 21:13,14).






Biblia Falada em MP3