
Aparece somente uma vez no cabeçalho (que será provavelmente espúrio e é omitido da V.R.) da Segunda Epístola de Timóteo. Tornou-se imperador de Roma quando tinha cerca de dezassete anos (54 DC) e cedo começou a demonstrar o carácter de um tirano cruel e de um debochado bárbaro. Em Maio de 64 DC, deflagrou um terrível incêndio em Roma, que grassou durante seis dias e sete noites, destruindo completamente grande parte da cidade. Ele terá sido culpado por este incêndio e o veredicto geral da história acusa-o desse crime. “Desse modo, para afastar os rumores,” diz Tácito, “ele acusa falsamente e pune com as torturas mais requintadas os cristãos, que são odiados pelas suas maldades. Cristo, o fundador deste nome, foi morto como um criminoso por Pôncio Pilatos, procurador da Judeia durante o reinado de Tibério; mas esta perniciosa superstição, reprimida durante algum tempo, foi restaurada novamente não só na Judeia, onde o mal se originou, mas também na cidade de Roma, para onde todas estas coisas horríveis e vergonhosas fluíram, vindas de todos os quadrantes e onde foram encorajadas. De acordo com estas circunstâncias, foram presas três pessoas que confessaram ser cristãs. A seguir, com base nas informações por elas fornecidas, uma grande multidão foi condenada não tanto pelo incêndio, mas mais pelo ódio que lhes tinham. E, com a sua morte, foram transformados em objectos de desporto; eram vestidos com peles de animais selvagens e atirados aos cães, ou pregados a cruzes e quando o dia declinava, eram queimados, servindo, então, de archotes de iluminação durante a noite. Nero ofereceu os seus próprios jardins para a apresentação deste triste espectáculo, exibindo também um jogo circense que misturava indiscriminadamente pessoas comuns como cocheiros de quadrigas. Daqui nasceu um sentimento de compaixão para com os sofredores, embora sendo culpados e merecendo servir de exemplo a outros através de uma punição capital, pois não pareciam trazer qualquer bem ao povo, sendo vítimas da ferocidade de um só homem.” Outro historiador romano diz de Nero: “Ele também infligiu castigos aos cristãos, um grupo de pessoas que crê numa superstição nova e ímpia.”
Nero foi o imperador perante quem Paulo foi trazido aquando do seu primeiro encarceramento em Roma e é suposto que o apóstolo tenha sofrido durante esta perseguição. É-lhe feita alusão nas Escrituras (At 25:11; Fp 1:12, 13; Fp 4:22). Morreu em 68 DC.
