
Filho de Hacalias (Ne 1:1), era provavelmente, da tribo de Judá. A sua família deve ter-se estabelecido em Jerusalém (Ne 2:3). Era um dos “judeus da dispersão” e na sua juventude foi nomeado para o importante cargo de copeiro real no palácio de Susã. O rei Artaxerxes Longânimo parece ter tido uma certa familiaridade amigável com o seu subordinado. Através do seu irmão Hanani e talvez através também de outras fontes (Ne 1:2; Ne 2:3), ele ouviu falar do estado desolador e fúnebre em que se encontrava a Cidade Santa, enchendo-se de tristeza o seu coração. Durante alguns dias, ele jejuou, pranteou e orou pelo local da sepultura dos seus pais. Com o tempo, o rei acabou por ver o quanto ele se mostrava triste e perguntou-lhe qual a razão para tanta tristeza. Neemias explicou-lhe tudo e obteve permissão para ir a Jerusalém e aí actuar como tirshatha ou governador da Judeia. Ele dirigiu-se a Jerusalém na primavera de 446 AC (onze anos depois de Esdras) com uma forte escolta fornecida pelo rei e com cartas para todos os paxás das províncias pelas quais ele tinha que passar e uma também para Asafe, guarda das florestas reais, carta essa onde o rei o instruía a ajudar Neemias. Quando chegou, ele decidiu-se a inspeccionar a cidade e a estabelecer um plano para o seu restauro; um plano que ele executou com grande energia e perícia, de modo que tudo ficou pronto em cerca de seis meses. Ele permaneceu na Judeia durante treze anos como governador, levando a cabo muitas reformas, apesar da muita oposição que encontrou (Ne 13:11). Ele construiu sobre as antigas estruturas, “complementando e completando o trabalho de Esdras,” tratando de todos os pormenores referentes à segurança e boa governação da cidade. No fim deste importante período da sua vida pública, ele voltou para a Pérsia, para o serviço do seu amo real em Susã ou Ecbatana. Pouco depois disto, o antigo estado de corrupção voltou, mostrando a inutilidade das profissões de fé que tinham sido feitas aquando da dedicação dos muros da cidade (Ne 12). Malaquias levantou-se de entre o povo com palavras severas de reprovação; Neemias voltou novamente da Pérsia (após uma ausência de quase dois anos) e lamentou-se ao ver como a degeneração moral se espalhara. Decidiu-se, com vigor, a rectificar os abusos flagrantes que se tinham espalhado e restaurou uma administração ordenada de adoração pública e uma observação extrínseca da lei de Moisés. Da sua história subsequente, nada se sabe. Talvez tivesse permanecido no seu posto de governador até à sua morte (por volta de 413 AC) com uma idade bem avançada. O local onde morreu e foi sepultado é, contudo, desconhecido. “Parece-se com Esdras no seu zelo inflamado, no seu activo espírito de empreendimento e na piedade da sua vida: mas era de uma disposição mais franca e mais intensa; tinha menos paciência para com os transgressores; era mais um homem de acção do que pensamento e mais inclinado para o uso da força do que da persuasão. A sua sagacidade prática e a sua grande coragem eram muito vincadas, sendo demonstradas pelo modo como reconstruiu os muros e frustrou os habilidosos planos dos seus adversários. O seu coração piedoso, o seu profundo espírito religioso e constante sentido de comunhão e dependência absoluta de Deus são notavelmente exibidos, primeiramente na longa oração registada em Ne 1:5-11 e, em segundo lugar, no que tem sido apelidado de “orações interjeccionais”, aquelas pequenas mas tocantes súplicas ao Deus Todo Poderoso que ocorrem com tanta frequência nos seus escritos, a instintiva expansão de sentimentos de um coração profundamente tocado mas que descansa em Deus e que somente olha para Deus em busca de ajuda na aflição, na frustração dos desígnios malignos e na recompensa e aceitação final.” Neemias foi o último dos governadores enviados pela corte persa. A Judeia, depois disto, foi anexada à satrapia da Síria, sendo governada pelo sumo sacerdote sob a jurisdição do governador da Síria, tornando-se a sua estrutura interna cada vez mais numa hierarquia.
