
Na ortografia babilónica Nabu-Kudur-Uzur significa “Nebo, protege a coroa!”, ou “fronteiras.” Numa inscrição, ele chama-se a si próprio “o favorito de Nebo.” Foi filho e sucessor de Nabopolassar, que livrou Babilónia da sua dependência da Assíria e deixou Nínive em ruínas. Foi o maior e mais poderoso de todos os reis babilónios. Casou com a filha de Ciaxares e, assim, as dinastias Medo e Babilónica se uniram.
Neco II, o rei do Egipto, obteve uma vitória sobre os assírios, em Carquemis. Isto assegurou ao Egipto a possessão das províncias sírias da Assíria, incluindo a Palestina. As restantes províncias da Assíria foram divididas pela Babilónia e pela Média. Mas Nabopolassar ambicionava reconquistar a Nebo as províncias ocidentais da Síria e, para isso, enviou o seu filho com um poderoso exército (Dn 1:1). Os egípcios encontraram-se com ele em Carquemis, onde se travou uma grande batalha, que teve como resultado a derrota dos Egípcios. Estes tiveram que se retirar (Jr 46:2-12) e a Síria e a Fenícia ficaram novamente sujeitas a Babilónia (606 AC). A partir daí, “o rei do Egipto nunca mais saiu da sua terra” (2Rs 24:7). Nabucodonozor também subjugou toda a Palestina e tomou Jerusalém, levando cativos muitos judeus, entre os quais se encontravam Daniel e os seus companheiros (Dn 1:1; Jr 27:19; Jr 40:1).
Três anos depois, Jeoiaquim, que reinava em Jerusalém como vassalo de Babilónia, rebelou-se contra o opressor, contando com a ajuda dos egípcios (2Rs 24:1). Isto fez com que Nabucodonozor conduzisse novamente o seu exército sobre Jerusalém, que se lhe rendeu imediatamente (598 AC). Lutaram contra eles uma terceira vez, Jeoiaquim foi deposto e Nabucodonozor levou-o para Babilónia, juntamente com uma grande quantidade da população da cidade, assim como os vasos sagrados do templo, colocando Zedequias no trono de Judá, em seu lugar. Ele também, sem prestar atenção aos avisos do profeta, fez uma aliança com os egípcios e rebelou-se contra Babilónia. Isto fez com que a cidade fosse novamente sitiada, tendo sido posteriormente tomada e, por fim, destruída (586 AC). Zedequias foi levado cativo e foram-lhe tirados os olhos, por ordem do rei da Babilónia, que fez dele seu prisioneiro até ao fim da sua vida.
Um camafeu de ónix, que actualmente se encontra no museu de Florença, contém uma inscrição em forma de seta que é, certamente, antiga e genuína. O perfil protegido por um capacete também é genuíno mas é mais provável que seja o retrato de um usurpador no tempo de Dario (Histaspes) chamado Nidinta-Bel, que tomou o nome de “Nebuchadrezzar”. A inscrição foi traduzida desta maneira: “Em honra de Merodaque, seu senhor, Nabucodonozor, rei da Babilónia, durante a sua vida mandou fazer isto.”
Uma tabuinha de barro, que actualmente se encontra no Museu Britânico, contém a seguinte inscrição, sendo a única que foi descoberta e onde são mencionadas as guerras que travou: “No 37º ano de Nabucodonozor, rei do país da Babilónia, dirigiu-se ao Egipto (Misr) para guerrear. Amasis, rei do Egipto, reuniu (o seu exército), avançou, espalhando-se em diferentes direcções”. Assim se cumpriram as palavras do profeta (Jr 46:13-26; Ez 29:2-20). Tendo subjugado a Fenícia e infligido um castigo ao Egipto, Nabucodonozor dedicou-se a reconstruir e a adornar a cidade da Babilónia (Dn 4:30), dando ao seu reino uma maior grandeza e prosperidade através da construção de canais, aquedutos e reservatórios, ultrapassando em grandeza e magnificência tudo o que, no género, é mencionado na História (Dn 2:37). É representado como o “rei dos reis”, governando sobre um vasto império constituído por muitas províncias, com uma longa lista de oficiais e governadores que agiam sob as suas ordens, sátrapas, prefeitos e presidentes, juizes”, etc. (Dn 3:2, Dn 3:2, ou talvez o oriente em geral, alguma vez produziu. Ele deve ter possuído imensos trabalhadores. Nove décimos da própria Babilónia e 19/20 de todas as outras ruínas que em grande profusão cobrem a terra são compostas por tijolos estampados com o seu nome. Ele parece ter construído e restaurado quase todas as cidades e templos de todo o país. As suas inscrições fornecem-nos um elaborado registo de todas as obras que ele fez em e à volta de Babilónia, ilustrando a sua jactância: ‘Não é esta a grande Babilónia que eu construí?’”
Depois do incidente da “fornalha ardente” (Dn 3), à qual os três hebreus foram lançados, Nabucodonozor foi afligido por uma doença mental muito peculiar, como castigo pelo seu orgulho e vaidade, provavelmente a forma de loucura conhecida por licantropia (i.e., “homem que se transforma em lobo”). A narrativa da Escritura é notavelmente confirmada pela recente descoberta de um degrau de bronze que contém uma inscrição afirmando que terá sido oferecido por Nabucodonozor ao grande templo de Borsipa como oferta votiva e relativa à sua recuperação de uma doença terrível.
Viveu durante mais alguns anos após a sua recuperação e morreu em 562 AC com 83 ou 84 anos, após um reinado de 43 anos, tendo sido sucedido pelo seu filho Evil-Merodaque a quem, após um reinado de dois anos, sucedeu Neriglissar (559-555), tendo a este, sucedido Nabonadio (555-538). No fim do reinado deste rei (menos de um quarto de século após a morte de Nabucodonozor), a Babilónia caiu sob os exércitos de Ciro, exércitos conjuntos da Média e da Pérsia.
“Examinei,” diz Sir H. Rawlinson, “alguns tijolos pertencentes a centenas de cidades diferentes, na vizinhança de Bagdade e nunca encontrei nenhuma outra lenda que não fosse a de Nabucodonozor, filho de Nabopolassar, rei da Babilónia.” Nove décimos de todos os tijolos de entre as ruínas da Babilónia estão estampados com o seu nome.
