
O nome actual do maior lago da Palestina. Na Bíblia é chamado “o mar de sal” ou “mar salgado” (Gn 14:3; Nm 34:3, Nm 34:12; Dt 3:17; Js 3:16; Js 12:3, etc.), “ mar de Araba” (algumas versões) ou “mar da campina” (Dt 3:17; Js 3:16, etc.); “mar oriental (algumas versões) ou “mar do oriente” (Ez 47:18; Jl 2:20; etc.).
O Mar Morto é o mais baixo corpo de água existente na terra, sendo o nível da sua superfície, não computado até 1837, de 396 m abaixo do nível do mar. O lago recebe uma média diária de cerca de 6 ½ milhões de toneladas de água vinda do Rio Jordão e outros cursos de água. Contudo, a evaporação é tão grande, que o nível do lago permanece constante, aumentando somente 3 a 4,5 m acima do seu nível normal após a época da chuva. O nível de água que recebe é, não obstante, um pouco maior do que aquele que se evapora e, deste modo, o seu nível aumentou levemente. Por isso, o lago é agora consideravelmente maior do que o era 2000 anos antes.
Uma vez que o Mar Morto não escoa a água que recebe, retém todos os minerais que aí chegam, sendo tão salgado que um ser humano ou animal não poderão nunca afundar-se; daí o nome de “mar do sal” (Gn 14:3, etc.). Alguns escritores gregos chamaram-lhe Lago Asphaltitis, por causa do asfalto que ocasionalmente vem à superfície na extremidade sul. Os escritores gregos do século II DC em diante chamavam-lhe Mar Morto, um nome apropriado, embora não estritamente literal. Praticamente nada pode viver nas suas águas salgadas, excepto uns quantos peixes perto das nascentes dos ribeiros. Os árabes, desde o século XI DC, chamam-lhe Bahr Lût, “Lago de Ló”, em memória de Ló que ali viveu.
O Mar Morto tem aproximadamente 75 km de longitude e 9 a 16 km de largura e a sua superfície tem cerca de 945 km2. Josefo não terá falado correctamente ao afirmar que o seu tamanho era de 106x18,5 km. Na realidade, era mais pequeno no tempo de Josefo do que o é agora. A maior profundidade é a da secção norte, com 405 metros. A profundidade diminui para sul, medindo aí 200 m, precisamente a norte de el-Lisan, “a Língua”, uma península plana que sobressai na margem oriental. Nos estreitos entre el-Lisan e a margem ocidental, a profundidade é de apenas 5 m, variando entre 1 e 6 m a sul de el-Lisan.
O Mar Morto contém 28% de sal, quando comparado com os 4 a 6% da água do oceano. Os depósitos de sal natural, assim como a ausência de escoamento, estão na origem da sua situação tão peculiar. Cerca de metade do conteúdo do sal é composto pelo vulgar sal de mesa (cloreto de sódio). Outros sais em quantidades consideráveis são o cloreto de magnésio, que fornece à água do Mar Morto aquele seu sabor desagradável e o cloreto de cálcio, que faz com que a água pareça oleosa.
A margem ocidental é formada pelos penhascos escarpados do deserto de Judá. Os poucos colonos que se instalaram nesta área - tais como a comunidade essénia em Qumran, onde foram descobertos os manuscritos do Mar Morto, ou Masada, a última fortaleza judaica a cair às mãos de Tito durante a guerra romano-judaica - não se estabeleceram directamente nas suas margens mas em planaltos elevados. Do mesmo modo, o planalto oriental eleva-se escarpadamente mas alguns ribeiros, esculpindo profundos desfiladeiros através destes planaltos, formavam focos de terra habitável, onde existiram cidades nos tempos antigos.
