
A Líbia era o país a oeste do Egipto e surge em textos egípcios com o nome Rbw, que é o equivalente linguístico de Líbia. Os líbios, que viviam na orla do deserto, não paravam de lançar olhares ansiosos na direcção do fértil vale do Nilo, tentando invadir o Egipto. As mais fortes tentativas foram levadas a cabo nos séculos XIII ou XII AC, quando Merneptah e Ramsés II tiveram que reunir esforços contra estas invasões. Conseguiram derrotar os líbios, fazendo com que eles regressassem ao seu país no deserto. Contudo, quando o Egipto entrou em declínio político e militar, os líbios foram trazidos, em grande número, para o Egipto e muitos deles foram utilizados como soldados nas unidades auxiliares do exército egípcio. Sisaque I, um líbio, depois de ter sido, durante algum tempo, um general no exército egípcio, usurpou o trono, tornando-se no primeiro rei da 22ª dinastia e fundando, assim, a dinastia líbia do Egipto.
Os gregos, em dado momento, chamaram Líbia a todo o norte de África, a oeste do Egipto mas, mais tarde, o nome foi aplicado apenas à zona oriental, região essa que se situava entre o Egipto e a província romana de África, estendendo-se até meio do Syrtis Superior. Quando os romanos tomaram conta do país, dividiram-na em duas partes: “Líbia Inferior, a Este e “Líbia Superior”, a Oeste. A primeira era também chamada “Marmarica” e a última “Cirenaica”. Somente Cirenaica obteve alguma importância política e económica, uma vez que Marmarica era, na sua maioria, um deserto. Cirenaica uniu-se a Creta, formando uma província em 67 AC, tendo Cirene como capital. Apolónia era a sua cidade portuária. As outras cidades importantes foram Barca, com a sua cidade portuária de Ptolomaica, e Berenice. Encontravam-se presentes no dia do Pentecostes alguns representantes desta província, na altura em que o Espírito Santo foi derramado sobre os apóstolos (At 2:10). Simão era também de Cirene. Foi ele que os soldados romanos obrigaram a carregar a cruz de Cristo até ao local da crucificação (Mt 27:32). Alguns dos cristãos que se encontravam em Antioquia eram de Cirene (At 11:20; At 13:1), assim como alguns dos antagonistas de Estevão (cap. At 6:9).
