
Os nomes “grego” e “Grécia” chegaram-nos do latim Graecus e Graecia; foi no sul de Itália que os romanos ficaram a conhecer o nome Graikoi, nome esse que estava ligado a uma tribo grega que se instalara ali. Este foi o nome dado à secção sul da Península dos Balcãs. A antiga Grécia era limitada a norte pela Macedónia, a este pelo Mar Egeu e a oeste pelo Mar Jónio. Desde as montanhas a norte, onde o mais alto pico do Monte Olimpo atinge os 2.985 metros, até ao ponto mais a sul, o Cabo Matapan, são 400 km. A Grécia continental é montanhosa. Portanto, as ligações por terra são difíceis, mas a sua costa é tão recortada, que se pode ir a qualquer parte do país por mar. Assim, o mar não é considerado um obstáculo ao tráfego, mas antes uma ponte. Muitas das ilhas do Mar Egeu e do Mar Jónio pertencem à Grécia. Os antigos gregos também se instalaram na Ásia Menor, na região do Mar Negro, no sul de Itália, na Sardenha e Sicília, no norte de África e no sul de França.
I - Grécia Histórica:
1 - Origens - Os antigos gregos dizem-se descendentes do lendário Hélen, de quem tomaram o nome - helenos. Nos tempos antigos, utilizaram este nome para se designarem a si próprios, assim como utilizaram o nome “Hélade” para designarem a Grécia, nome este que ainda usam actualmente. Existem quatro grupos principais entre os primeiros gregos, que falavam dialectos diferentes mas que tinham por base uma língua comum, possuindo também as mesmas características étnicas. Eram os acaicos, os éolios, os jónios e os dórios. Os acaicos tiveram um papel importante no período inicial e Homero refere-se, por vezes, a todos os gregos como acaicos. Os jónios e os dórios foram os grupos étnicos mais importantes dos últimos tempos, tendo sido os fundadores, respectivamente, de Atenas e de Esparta, as duas mais importantes cidades do continente grego. Os jónios também fundaram muitas das importantes cidades da costa ocidental da Ásia Menor. O VT designa a Grécia e os gregos pelo nome hebraico Yawan, “Jónia”, provavelmente porque os jónios foram a mais importante e a mais representativa de todas as tribos gregas.
2 - Grécia Clássica - Por causa da falta de documentos escritos relativos ao período inicial, a história da Grécia apenas se inicia por volta do século VIII AC. Os períodos iniciais estão envoltos em mistério. Algumas lendas e poemas épicos falam dos tempos heróicos primitivos. A eles podem agora ser acrescentados os resultados das escavações efectuadas em lugares pré-históricos, tais como Micenas e Tróia, resultados esses que esclarecem alguns desses poemas épicos. Sempre que a Grécia surge na história, vamos encontrá-la dividida em várias cidades-estado, cada uma cuidando dos seus próprios interesses, embora se encontrassem ligadas umas às outras por uma língua e cultura comuns. As guerras entre os estados ocorriam ocasionalmente mas os Jogos Olímpicos, que aconteciam de 4 em 4 anos, serviam para uni-los ainda mais. Para os hebreus, a Grécia era apenas um país longínquo (Is 66:19; Ez 27:13, 19; Dn 8:21; Dn 10:20; Jl 3:6; Zc 9:13) durante o século II (entre 700 e 500 AC), período este que precedeu a guerra greco-persa, altura em que foram colocados os fundamentos da literatura, arquitectura, arte e filosofia gregas. Foi esta cultura que esteve por detrás de toda a cultura ocidental, sendo o seu modelo durante vários séculos.
O primeiro papel importante da Grécia na história mundial teve origem nas guerras greco-persas. Estas tiveram início no tempo de Dario I, muito depois de Ciro ter incorporado no seu reino as cidades gregas jónicas da Ásia Menor, que tinham pertencido à Lídia. Mas quando os persas entraram na Grécia, este pequeno povo revelou as suas melhores qualidades. Os, até ali, invencíveis persas, que tinham derrotado as forças militares de grandes impérios e reinos, tais como as da Média, da Lídia, da Babilónia e do Egipto, foram surpreendidos ao sofrerem uma derrota humilhante atrás de outra, impostas pelo pequeno exército grego. O facto de os persas poderem ser derrotados ocorreu primeiro em Maratona (490 AC), provando-se novamente em Salamina, Plataea, Mycale, Eurymedon e outras batalhas que se deram em anos seguintes. Como resultado destas guerras, as cidades-estado gregas uniram-se sob a liderança de uma cidade - Atenas - durante algum tempo; contudo, assim que o perigo passou, elas separaram-se de novo. Entre 479 e 431 AC, Atenas foi o centro dos estados gregos e teve, então, a sua época de ouro, especialmente sob a governação de Péricles. Veio depois a guerra do Peloponeso (431-404 AC), que teve origem nas questiúnculas entre Atenas e as suas colónias, acabando por envolver todos os estados gregos e respectivas armadas e terminando com a queda de Atenas e supremacia temporária de Esparta (404-371 AC). A supremacia de Esparta foi substituída, por sua vez, pela supremacia, de pouca duração, de Tebes (371-362 AC). Alguns anos mais tarde (338 AC), praticamente toda a Grécia sucumbiu ao poder de Filipe da Macedónia e não tardou a que fizesse parte do Império Macedónio do seu filho Alexandre, o Grande.
II - O Império Greco-Macedónio de Alexandre - Período Helenístico –
Foi neste seu novo papel que os helenos, ou gregos, agora unidos aos seus parentes macedónios, tiveram uma parte importante no poder mundial macedónio.
Deve notar-se que a “Grécia” que derrotou a Pérsia (Dn 8:20, 21) não foi a Grécia Clássica da história, composta por um determinado número de cidades-estado, em que Atenas representou o pico da civilização grega; foi antes este império grego-macedónio de Alexandre, que se seguiu ao período clássico, depois que a Grécia foi absorvida pela Macedónia.
1 - As Conquistas de Alexandre no Oriente - Alexandre, o Grande, sendo um macedónio com uma educação grega, promoveu a cultura e a língua gregas em todos os países conquistados, quer através de meios pacíficos, quer através da força. Em poucos anos (334-323 AC), ele “esmagou” os exércitos persas de Dario III, último rei da Pérsia e com os seus soldados gregos e macedónios, passou vitoriosamente pela Ásia Menor, Síria e Palestina, até à antiga terra do Nilo, que caiu perante os seus exércitos. Tomou depois a Mesopotâmea e a Pérsia, chegando ao Vale do Indo; os seus soldados acabaram por se recusar a prosseguir as conquistas de terras e reinos desconhecidos. Ele, então, procurou consolidar o seu império e estabelecer uma união entre o Oriente e o Ocidente, escolhendo a antiga cidade de Babilónia como sua capital e residência mas a sua morte pôs fim aos seus planos de um Império Greco-Macedónio-Oriental unido. Contudo, houve algo que permaneceu das suas conquistas. Embora os seus sucessores lutassem entre si durante décadas e dividissem a herança de Alexandre em secções de vários tamanhos e força, continuaram a promover a língua e a cultura gregas através do mundo mediterrâneo oriental.
2 - Civilização Helenística - Esta cultura, à qual chamamos helenística, distinguindo-a da helénica, ou grega clássica, período que a precedeu, sobreviveu ao poder político dos reinos macedónios através dos séculos e moldou a civilização romana. É chamada helenística (grecizada) porque a língua, a cultura e os costumes gregos, divulgados por Alexandre em todo o Próximo Oriente, não eram puramente gregos mas foram modificados pelos costumes macedónios dos governantes e pela civilização oriental dos povos subjugados. Mas na área mediterrânica oriental, o grego era quase universalmente falado, os colonos gregos tinham-se instalado por todo o lado e os costumes gregos foram absorvidos pelos habitantes nativos de cada território (é por isso que os judeus, que resistiram ao processo de helenização, não faziam distinção entre gregos e orientais helenizados, apelidando de gregos todos os seus contemporâneos não judeus).
3 - O Império Dividido - Este mundo helenizado, composto pela Grécia, Macedónia e Oriente helenizado, permaneceu como uma única civilização greco-macedónia-oriental, mais ou menos unificada pelos seus elementos gregos, muito depois de ter perdido a sua unidade política. Após a morte de Alexandre, os seus líderes macedónios colocaram no trono o seu meio irmão Filipe, que possuía um certo atraso mental e ainda o filho póstumo de Alexandre, também chamado Alexandre. Os sucessivos regentes destes reis-fantoches tentaram manter o império unido mas outros, que governavam territórios na condição de sátrapas do império, esforçaram-se por dividi-lo entre si. Pouco mais de vinte anos depois da morte de Alexandre, o mais forte e último pretendente ao trono foi derrotado na batalha de Ipsus (301 AC) por uma coligação de quatro homens (Ptolomeu, Cassandro, Lisímaco e Seleuco), que dividiram o império em quatro reinos. Vinte anos depois, estes quatro ficaram reduzidos a três, quando Seleuco I, governante da parte ocidental, conquistou a região norte. A partir de então, o território anteriormente ocupado pelo império de Alexandre passou a ser composto por três reinos helenísticos principais e inúmeros estados mais pequenos, instáveis e de pouca duração. Estes três reinos, governados pelos descendentes dos líderes macedónicos de Alexandre, eram a Macedónia (incluindo geralmente a Grécia), o Egipto e o Império Seleucida (mais tarde chamado Síria, depois de ter perdido as suas terras mais a este); e eles assim se mantiveram até que o mundo helenístico foi, aos poucos, tomado por Roma. Apesar de terem sido anexados, passando a denominar-se como província da Macedónia (146 AC); província da Síria (64/63 AC) e província do Egipto (30 AC), influenciaram o novo império através do pensamento grego. O grego continuou a ser a língua falada na metade este do Império Romano.
III - A Península Grega sob Domínio Romano e Macedónio - Durante o período helenístico, a Grécia passou pelas mãos de sucessivos governantes macedónios que, com um relativo sucesso, tentaram controlá-la. Atenas continuou a ser reconhecida como o líder intelectual do mundo grego, perdendo, no entanto, a sua importância comercial, enquanto que Esparta tentou, sem grande sucesso, tornar-se no líder político da Grécia. O resto da Grécia foi, na sua maioria, incorporada em duas confederações seccionais - chamadas a Liga Etoliana, que incluía a maior parte da Grécia Central e a Liga Acaica, à qual pertencia uma grande parte do Peloponeso. No século II AC, caiu perante os romanos, que muitas vezes interferiram nos assuntos gregos. Quando Mummius rompeu com a Liga Acaica e destruiu Corínto em 146 AC, a Grécia foi colocada sob a administração do governador da Macedónia que, nessa altura, foi anexada, transformando-se numa província romana. Em 27 AC, a Grécia foi organizada, passando a constituir uma província separada, sob o nome de Acaia. É com este nome que é referida no NT, com excepção de At 20:2, onde surge com o nome de Grécia.
