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GESER
Heb. Gezer, “cortador”; nas Cartas de Amarna, Gazri; nas inscrições assírias, Gazru; em registos egípcios, Qrd.


Um local a cerca de 29 km a noroeste de Jerusalém e cerca de 8 km a este de Ecrom; agora chamado Tell Jezer. Geser era uma cidade importante por causa da sua posição geográfica numa das duas principais estradas entre Jope e Jerusalém. A importância de Geser é também indicada pelo seu pouco usual tamanho de 11 hectares, duas vezes o tamanho de Megido. Embora os habitantes de Geser tenham sido derrotados no tempo de Josué (Js 12:12) e tenham realizado trabalhos forçados no tempo dos efraimitas (Js 16:10), a cidade permaneceu nas mãos dos cananeus (Jz 1:29) durante séculos. Consequentemente, não pôde ser usada pelos levitas, a quem fora atribuída (Js 21.21; 1Cr 6:67), antes do reinado de Salomão. Nessa altura, um dos últimos faraós da 21ª dinastia, provavelmente Siamon, capturou a cidade e deu as suas ruínas a Salomão como dote, quando a sua filha se casou com o rei hebreu. A cidade foi imediatamente reconstruída (1Rs 9:15, 16). Quando o reino de Salomão foi dividido em dois estados após a sua morte, Geser tornou-se parte do reino do norte. Tiglath-Pileser III conquistou a cidade e tê-la-á incorporado na província assíria de Megido. Terá tido um papel importante, como cidade fortificada, nas guerras macabeias.

Clermont-Ganneau foi o primeiro a identificar correctamente a antiga Geser com Tell Jezer. Esta identificação foi depois confirmada pela descoberta de várias pedras contendo algumas inscrições. As escavações foram conduzidas pelo Fundo de Exploração Palestiniana e dirigidas por R. A. S. Macalister entre 1902 e 1905, depois entre 1907 e 1909, também por A. Rowe em 1934 e mais tarde, entre 1964 e 1973, pela Escola de Arqueologia Bíblica de Nelson Glueck. Estas escavações foram dirigidas sucessivamente por G. E. Wright, W. G. Dever e J. D. Seger.

Macalister escavou uma grande área como único supervisor de mais de 200 trabalhadores, durante um período em que a arqueologia palestiniana estava a dar os primeiros passos. O seu relatório de três volumes foi, no entanto, enganador quanto à identificação das provas, como revelaram novas escavações.

A história arqueológica da cidade de Geser, no VT, pode agora ser reconstruída com estas novas provas. A cidade parece ter existido já neste local a partir do terceiro milénio AC mas não como uma cidade fortificada. A primeira muralha só terá sido construída por volta de 1800 AC. Tinha cerca de 4 metros de largura, três portas e mais de 25 torres para protecção adicional. Um interessante santuário ao ar livre, chamado na Bíblia “um lugar alto”, pertence também a este período. Era composto por uma fila de dez pilares de pedra, alguns com mais de 3 metros de altura e também por um altar de pedra. Esta cidade fortificada foi construída no século XV AC, provavelmente pelo Faraó Thutmose III. Após um período de ocupação que durou algum tempo, foi reconstruída uma nova cidade maior do que a primeira e com uma nova muralha também com 4 metros de largura. Esta cidade foi, por seu turno, destruída no final do século XIII AC, provavelmente pelo Faraó Merneptah. Depois a cidade caiu nas mãos dos filisteus, que a mantiveram em seu poder até que o sogro de Salomão, talvez o Faraó Siamon, a conquistou e a deu a Salomão como presente de casamento. Salomão reconstruiu-a, rodeou-a com uma muralha de casamata e construiu quatro portões que eram praticamente idênticos aos de Megido e Hasor, que também tinham sido construídos pelos seus arquitectos (1Rs 9:15), evidentemente de acordo com o mesmo plano. Esta cidade foi destruída durante a invasão do Faraó Sisaque pouco depois da morte de Salomão. Geser passou por mais duas reconstruções no VT e subsequentes destruições: uma por Tiglate-Pilezer III, da Assíria, no século VIII AC e a segunda por Nabucodonozor II da Babilónia, no século VI AC. Enquanto a cidade de Geser esteve nas mãos de Judá, recebia provavelmente a sua água através de um túnel que passava pela cidade. A água corria para uma fonte e por um percurso de 28,5 metros abaixo da superfície da rocha.

Entre as importantes descobertas literárias, o chamado calendário de Geser, do século X AC, merece uma menção especial, pois é uma das inscrições hebraicas mais antigas alguma vez encontradas na Palestina. Em 1929 foi encontrado um ostracon que continha alguns sinais de ortografia proto-semítica.






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