
Uma cidade na extremidade norte do Golfo de Aqabah, o braço oriental do Mar Vermelho. É pela primeira vez mencionada na Bíblia como um dos locais onde os israelitas acamparam durante as suas vagueações no deserto (Nm 33:35, 36; Dt 2:8). Tornou-se conhecida como porto durante o período da monarquia hebraica; Salomão fez dela a cidade-porto de onde saíram as expedições para Ofir (1Rs 9:26; 2Cr 8:17). Josafá tentou fazer reviver estas expedições mas os seus navios foram destruídos por uma tempestade em Eziom-Geber (1Rs 22:49). Por causa deste desastre, ele desistiu de todas as tentativas de reconstrução da sua frota, embora Acazias, filho de Acabe, se tivesse oferecido para o ajudar (1Rs 22:50; 2Cr 20:36, 37). Aquando da sua revolta contra Jorão, Edom, o filho de Josafá, conseguiu a sua independência e o domínio de Judá sobre Eziom-Geber deve ter cessado temporariamente. Mas Amazias derrotou os edomitas, recuperando novamente o controlo sobre esta área. O seu filho Uzias construiu Elate, aparentemente a cidade gémea de Eziom-Geber, situando-se provavelmente a este desta cidade (2Rs 14:7, 2Rs 14:22: 2Cr 25:11, 12; 2Cr 26:1, 2). A partir daí, Eziom-Geber não volta a ser mencionada em registos históricos. É provável que tenha voltado às mãos dos edomitas. Quando os nabateus árabes tomaram o lugar dos edomitas, a cidade de Eziom-Geber passou a ser uma possessão nabateia.
Após um período de buscas infrutíferas, o local foi descoberto por F. Frank, sendo identificado com Tell el-Kheleifeh. Foi, depois, escavado em três épocas sob a direcção de Nelson Glueck entre 1938 e 1940. Os achados arquitectónicos encontrados durante as escavações foram interpretados pela primeira vez por Glueck como sendo um conjunto de fundidores, nos quais o cobre era extraído do minério explorado em Edom. Novos estudos e descobertas semelhantes encontradas noutros locais fizeram com que Glueck reinterpretasse as suas provas. Chegou à conclusão de que os buracos nas paredes que ele tinha interpretado como canos das chaminés dos antigos fundidores eram, na realidade, espaços que tinham ficado nas paredes depois que as vigas de madeira se desintegraram. Os edifícios, que se pensava serem fundidores, eram, na realidade, armazéns que tinham sido necessários a esta cidade portuária, cidade essa a partir da qual Salomão enviou os seus navios mercantes para Ofir.
As escavações da antiga cidade mostraram cinco extractos. O mais antigo era representado pela fortaleza de Salomão, que foi provavelmente destruída durante a invasão de Faraó Sisaque. O rei Josafá de Judá, então, reconstruiu a cidade (extracto II) e fortificou-a com uma maciça muralha dupla. A cidade foi, depois, destruída pelos edomitas no século IX AC durante a sua rebelião bem sucedida contra o rei Jorão. O extracto III representa a cidade do rei Uzias, que a devolveu a Judá. É deste período um anel com sinete que ali foi encontrado e o qual continha a inscrição: “Pertence a Jotão”. Jotão era o filho de Uzias, que lhe sucedeu no trono. Pouco depois, a cidade deve ter caído nas mãos dos edomitas, período representado pelo extracto IV, enquanto que o extracto V, o último, pertence ao período dos nabateus, que tomaram o lugar dos edomitas no século VI ou V AC.
