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177 Sermões Evangelisticos

UM TRAVESSEIRO DE PENAS

Pr. Fernando Iglesias

"Quem é você? Não estou perguntando o seu nome. Nem o seu endereço, nem a sua idade. Estou perguntando quem é você? O seu verdadeiro eu, o seu íntimo. E esteja certo, que ao você descobrir quem você realmente é, você vai ver também, que outras pessoas estão envolvidas em tudo o que você é.


Tanto em coisas boas, quanto em coisas ruins também. Pessoas influenciaram a sua vida. Os atos bons que praticamos influenciaram outras pessoas. Os atos ruins também. E a pergunta que faço a mim mesmo é: Será que o que eu digo e faço realmente influenciam a vida de outra pessoa? Será que outros influenciaram a mim?


Quando eu era pequeno meu pai me contou esta história:


Certo homem andou espalhando fofocas a respeito de uma boa família da cidade, simplesmente porque a filha deles rompeu um antigo namoro por não gostar mais dele.


As fofocas se espalharam de tal maneira que em pouco tempo não só todas as pessoas da cidade estavam sabendo da má fama da moça, como também as moças do lugar foram proibidas de conversar com ela.


Dois anos se passaram, o rapaz se apaixonou por outra moça e se casou. Porém sua antiga namorada ainda levava a injusta má fama que ele havia espalhado. Ao ver a vida triste e sem amigos que ela levava, e que nunca mais tinha namorado outra pessoa, por ter ficado mal afamada, sua consciência pesou-lhe e não podia nem dormir direito. Estava profundamente arrependido do que havia feito e por isso decidiu confessar-se com o padre da aldeia.


Após confessar-se pediu ao padre que lhe desse uma idéia de como desfazer o mal que havia causado. O padre mandou que buscasse em casa um travesseiro de penas e voltasse para a igreja imediatamente. Curioso, o rapaz obedeceu.


Ao voltar, o padre mandou que ele subisse até a torre mais alta da igreja, rasgasse o travesseiro e contasse cada uma das penas. Ele cumpriu todos os detalhes com muita dificuldade, pois era um dia de muito vento.


Estava ainda no alto da torre quando gritou para o padre que havia acabado a façanha de contar todas as penas em meio àquela ventania, então ouviu o padre que lá de baixo gritava para ele: "Pois bem, então agora abra o travesseiro novamente e espalhe ao vento todas as penas, sem deixar nenhuma no travesseiro!".


Sem entender muito bem o que o padre queria ensinar-lhe, e pensando que talvez fosse um tipo de "penitência estranha" obedeceu mais uma vez ao padre. Voltou cansado e apresentou-se ao com um tremendo ar de dever cumprido.


Surpreso, ouviu o padre dizer: Pois agora e que vai começar sua penitência! Saia pela cidade e coloque de volta no travesseiro todas as penas que você jogou, sem deixar nenhuma para fora. Só quando tiver conseguido fazer isto é que a má influência do que você fez terá passado.


Realmente nossas más ações e comentários causam males terríveis! Uma pergunta para você meditar profundamente: Você acha que este homem merecia mesmo um castigo?


Mas, será que só as más ações é que repercutem tanto assim?


Será que nossas pequenas boas ações também repercutem também esse tanto?


Será que se este homem fizesse uma boa ação, a repercussão seria tão grande e duradoura?


Hoje quero pensar com você no outro lado da influência das nossas ações e das nossas palavras.


As boas ações que fazemos e a repercussão que elas alcançam.


Um verso conhecido da Bíblia nos dá uma boa ajuda para termos uma visão exata da realidade. Estou falando de Mateus 5:13.


"Vós sois o sal da Terra, e se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens".


Vamos raciocinar juntos por um momento:


Apenas suponhamos que nossos bons atos repercutem tanto quanto nossas más ações.


Isto quer dizer que se eu tiver a oportunidade de fazer o bem a alguém e não fizer, então estarei cometendo um enorme erro! Uma falta grave!


Concorda comigo?


Vou dar um exemplo:


Nos Estados Unidos, há 15 anos atrás Donald Baylie estava sentado em sua cadeira curtindo uma piscina, quando um garotinho de 3 anos, correndo distraidamente caiu dentro da água e começou a se afogar.


Donald sabia nadar, mas não moveu nenhum músculo sequer para salvar o pequeno. Apenas continuou deitado, fingindo que estava dormindo enquanto o menino morria afogado.


Foi julgado e condenado. Como pode ser condenado se ele não matou o menino? Na verdade ele não foi condenado por ter feito algo errado, ele simplesmente foi condenado porque deixou de fazer o que era certo, o que deveria ter feito. Deixou de salvar o menino


Em II Reis 5 nós podemos ler uma história fascinante de alguém que fez o bem simplesmente por amor ao próximo.


2 Reis 5:1-5


1 Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o SENHOR dera vitória à Síria; era ele herói da guerra, porém leproso. 2 Saíram tropas da Síria, e da terra de Israel levaram cativa uma menina, que ficou ao serviço da mulher de Naamã. 3 Disse ela a sua senhora: Tomara o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra. 4 Então, foi Naamã e disse ao seu senhor: Assim e assim falou a jovem que é da terra de Israel. 5 Respondeu o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. Ele partiu e levou consigo dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez vestes festivais. 2 Reis 5:1-5.


A história continua nos contando que Naamã depois de ir falar com o profeta Eliseu, foi até o rio Jordão e obedeceu a ordem do profeta mergulhando-se sete vezes no rio.


Depois de mergulhar seis vezes sem nenhuma mudança, mergulhou mais uma vez e saiu do sétimo mergulho sem nenhuma mancha da lepra.


Você prestou bastante atenção no texto? Percebeu que a menina que levou Naamã até Eliseu era uma cativa de guerra?


Que bons motivos ela tinha para indicar ao seu Senhor o caminho da cura?


Apenas o amor pelo próximo, pelo nosso semelhante, que nada mais é do que o fruto do Amor de Deus, em nós pode fazer isto, nos levar a amar ao próprio inimigo, porque não é natural o ser humano agir assim.


Há aproximadamente 50 anos atrás, em São José do Rio Preto vivia Adelaide. Adelaide era uma jovem senhora de aproximadamente 36 anos.


Era bem pobre e tinha 5 filhos para criar. Seu marido, Sebastião não ganhava o suficiente para sustentar a família, por isso o filho mais velho Miguel, que tinha 14 anos também trabalhava fora para ajudar o pai nas despesas da casa. Trabalhava no pesado e saía de casa de madrugada todos os dias levando a marmita. Adelaide era muito cuidadosa com os filhos e com Miguel também. Numa madrugada, depois de uma noite de temporal, Miguel saiu para o trabalho como sempre. Enquanto andava na calçada distraidamente, não percebeu que a tempestade havia derrubado um cabo de alta tensão, que ainda estava ligado ali no chão.


Sem querer, pisou no cabo e caiu morto eletrocutado, instantaneamente!


Adelaide, quando soube disso sofreu um choque emocional tão forte, que desmaiou. Quando acordou não se lembrava de ninguém. Também não podia falar, nem se mexer, nem tinha qualquer tipo de expressão.


Tudo o que ela comia, vomitava. E por isso começou a morrer lentamente.


Numa quarta-feira à noite no culto de oração na igreja, uma vizinha da Adelaide, que pertencia à Igreja Adventista, decidiu pedir para que a igreja orasse pela Adelaide.


Ali estava a Ana, uma jovem com a mesma idade da Adelaide.


Ana era muito fiel a Deus e não se contentava só em orar. Por isso, além de orar ela anotou o endereço da Adelaide e no dia seguinte foi fazer uma visita.


Eu vou pedir para a própria Ana contar o que aconteceu. Eu fui à casa da Ana, atualmente ela está morando no interior de São Paulo, na cidade de Piracicaba em um sítio chamado "Vivenda Linda" numa estradinha de terra que vai para Inhumas, e veja só o que ela me contou:


Fernando: Como é seu nome completo?


Ana: -O meu nome é Ana da Silva Prestes


Fernando: Mas a Ana é conhecida por Ana Prestes. Onde você nasceu Ana?


Ana: -Eu nasci em Orlândia, uma cidadezinha perto São José do Rio Preto-SP.


Fernando: Ana, eu sei que não se deve perguntar a idade de uma dama, mas você se importaria em dizer em que ano você nasceu?


Ana -Eu nasci em 15 de Dezembro de 1914.


Fernando: E você ficou morando em Orlândia?


Ana: -Eu me casei em São José do Rio Preto (SP), meus filhos nasceram todos lá.


Fernando: E Ana naquele tempo aconteceu alguma coisa que marcou muito a sua vida, não é verdade?


Ana: - É...Muito mesmo!


Fernando: Ana, em que condições você encontrou a Adelaide quando você entrou na casa dela pela primeira vez?


Ana - Quando eu cheguei lá, eu me ajoelhei perto da cama do lado dela e disse: Minha amiga confia em Deus, Deus é poderoso, Ele te ama e um dia Ele vai entregar o seu filho falecido em seus braços.


Fernando: E aí Ana o que você fez?


Ana: -E aí ela me ouviu e já foi melhorando, parou de gritar, eu fui conversando com ela, falando de Deus, conversei bastante com ela e ela dormiu, e eu aproveitei e fui até a minha casa, eu morava a uns três quarteirões da casa dela, eu fui dar "de mamar" pro meu nenê.


Fernando: Então você tinha um nenê recém nascido?


Ana: -Sim, eu ainda estava de dieta.


Fernando: Ana e como era que a Adelaide se alimentava?


Ana: -Ela não queria se alimentar, ela queria morrer.


Fernando: Ela tinha tido um choque emocional muito forte?


Ana: -Eu tirava meu próprio leite em um copo e ia com uma colher dando pra ela, era muito difícil, porque ela cerrava os dentes, ela queria morrer, ela não queria tomar, aí eu ia devagarzinho colocando o leite entra os dentes dela.


Fernando: E assim ela então foi melhorando?


Ana: Durante uma semana foi "amamentada" com o meu leite, eu dava leite e ia falando de Jesus pra ela, sempre dizendo que Jesus iria entregar o filho "dela" nos braços dela, e aí na sexta-feira eu disse pra ela: Adelaide amanhã eu vou a igreja e eu venho aqui pra te levar na igreja comigo.


Fernando: E ela concordou?


Ana: Concordou, e ela foi á igreja, chegando lá deram muita atenção pra ela, ela se sentiu bem. E aí ela começou a ir sempre comigo a igreja. E depois ela quis se batizar.


Fernando: Quanto tempo mais ou menos demorou pra Adelaide se batizar?


Ana: O tempo certo eu não me lembro, mas eu falei com o pastor da igreja e ele começou a dar estudos bíblicos pra ela, toda a família dela, até as tias viram que ela sarou, e todo mundo quis estudar a bíblia.


Fernando: Ana você falava muito pra Adelaide da volta de Jesus, e tem um hino que eu já ouvi você cantando, que fala da Volta de Jesus, você acha que dá pra cantar um pedacinho? É o hino Manhã do Juízo.


Ana:

Sonhei que a manhã do juízo

Rompeu ao tocar o clarim

Sonhei que as nações junto ao trono

Reunidas estavam enfim


Um anjo glorioso descendo

Se pôs entre a terra e o mar

As mãos para o céu apontando

Jurou não haver mais tardar.


Fernando: Ana você gostaria de fazer um convite, um apelo para estas pessoas aceitarem a Jesus?


Ana: Nós precisamos mesmo de estar sempre atento, procurando seguir a Jesus, porque o que seria de nós se não fosse Jesus? Em tudo nós dependemos dEle, tudo é dEle. E agora como não ficar ao lado dEle, como não estudar a palavra dEle e como viveremos sem Ele.


Fernando: Ana você entregou a sua vida todinha a Ele, e valeu a pena?


Ana: Seguir a Cristo? Valeu muito! Valeu mesmo.


Esta história me deixa muito emocionando. Ver esta velhinha sensacional também me deixa muito emocionado. Porque Adelaide era minha avó. Na verdade foi assim que essa pessoa maravilhosa tirou minha avó Adelaide dum poço sem fundo. De um mundo de desespero e de falta de esperança, para levá- la para um mundo de paz, amor e esperança!


Agora é hora de ver o alcance desta boa ação, deste testemunho maravilhoso que a Ana deu para minha avó Adelaide. Imagine só a extensão disto, quando os filhos de minha avó tiveram filhos, que também tiveram filhos e assim por diante! E hoje eu que também recebi a mensagem da Bíblia e agora estou passando, transmitindo, a todos vocês.

ORAÇÃO

Querido Deus, tantas vezes Senhor pessoas aparecem a nossa frente, pedindo um pedaço de pão espiritual e mesmo material também. Tantas vezes Senhor, pessoas dilaceradas, cortadas, machucadas pelos problemas da vida passam pela nossa frente. Senhor nós sabemos que o Senhor precisa usar as nossas mãos, nossos pés, nossos braços, mas às vezes não temos forças. Dá-nos Senhor a tua força, o teu poder Senhor e toma-nos nas suas mãos.



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