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MEGIDO
Heb. Megiddô e Megiddôn, de significado incerto.


Nas Cartas de Amarna, Magiddu; em textos assírios, Magidû e em inscrições assírias, Mkt(y). Uma fortaleza mencionada pela primeira vez em textos cuneiformes de Ebla, no período pré-patriarcal. Situava-se na base da cordilheira do Carmelo, no lado nordeste. Juntamente com as cidades-fortaleza de Taanaque e Bete-Seã, a sudoeste, Megido podia controlar toda a planície de Esdraelon e, deste modo, as estradas principais entre o Egipto, a Síria e a Babilónia. Foi por esta razão que Megido teve um importante papel na história do Novo Reino do Egipto, quando este país fundou o seu Império Asiático. Thutmose III capturou a cidade após tê-la cercado em 1486 AC. A história da sua captura encontra-se numa longa inscrição gravada nos muros do templo em Karnak e nos quais Thutmose deixou, para a sua posteridade, o primeiro registo detalhado de uma batalha. Os israelitas não conquistaram logo as cidades-fortaleza da Planície de Esdraelon (Js 17:1, 12; Jz 1:27) e Megido permaneceu nas mãos dos cananeus até ao século XI AC, altura em que os filisteus aparentemente tomaram a cidade. Só durante o reinado de David ou Salomão ela se tornou numa cidade hebraica. Situava-se num dos doze distritos administrativos de Salomão (1Rs 4:12).

O rei Sisaque do Egipto regista Megido entre as cidades conquistadas durante as suas campanhas militares na Palestina. Um fragmento do seu monumento de vitória, encontrado entre as ruínas da cidade, revela que ele tomou a cidade, embora, tal como mostram as escavações, não a tivesse destruído. Por volta de 732 AC, toda a Galileia, a Planície de Esdraelon e os territórios israelitas da Transjordânia foram separados do reino de Israel por Tiglath-Pileser III da Assíria, que os transformou na “Província de Megido”, sendo Megido a cidade onde o governador assírio passou a residir. Um dos governadores, Ishtu-Adad-aninu, é conhecido a partir dos registos assírios. A história da tentativa frustrada de Josias em parar Faraó Neco em Megido dá a impressão de que a cidade e a área circundante tinham passado para as mãos do rei de Judá durante os anos de declínio da Assíria. A cidade não é mencionada durante os períodos persa e helenístico. Os romanos estabeleceram-se ali perto, chamando Legio a essa colónia, um nome que ainda é reconhecido na actual aldeia de el-Lejjûn e que se situa a menos de 1.6 km a sul de Megido. O local onde se situava a antiga Megido chama-se actualmente Tell el-Mutesellim.

Foram levadas a cabo, em Megido, algumas escavações dirigidas por uma expedição alemã pioneira chefiada por Schumacher, entre 1903 e 1905 e depois, utilizando-se métodos mais refinados, outras escavações realizadas por uma expedição da Universidade de Chicago sob a direcção de Fisher, Guy e Loud, entre 1925 e 1939. A última expedição planeou escavar toda a área, nível por nível mas, mais tarde, abandonou tal projecto por ser demasiado caro. Por isso, somente os quatro níveis superiores foram completamente escavados. Dos outros, somente algumas secções surgiram à luz do dia. Ao todo, foram descobertos vinte níveis que cobriam uma área de 5.25 hectares. As ruínas da cidade que Thutmose III conquistou em 1486 AC constituíam apenas o 9º nível. Isto mostrou que a Megido do século XV AC já possuía uma longa história. Os três níveis acima deste (VIII-VI a partir do topo) representavam o período da ocupação egípcia, desde o século XV até ao século XII AC. O nível V contém ruínas arquitectónicas pobres e também cerâmica tipicamente filisteia. Logo, parece que os filisteus terão possuído a cidade durante o reinado de Saúl. O nível IV foi dividido, pelos arqueólogos, em dois subníveis - IVb) (davídico) e IVa) (salomónico). Após novas escavações intermitentes levadas a cabo por Yadim entre 1960 e 1971, tornou-se claro que os níveis Va) e IVb) eram, na realidade, um nível único pertencente ao tempo de Salomão, enquanto que o nível IVa), que contém os estábulos, data do tempo de Acabe. Portanto, no tempo de Salomão e Acabe, a cidade foi completamente reconstruída. Foram erigidos estábulos para cerca de 500 cavalos, novas muralhas e grandes espaços para 130 carros. O projecto padrão de cada uma das unidades de estábulos providenciou uma entrada através de portas duplas e a partir das ruas situadas nas extremidades de cada unidade, dando acesso a uma passagem central pavimentada com estuque. Os cavalos ficavam em cada um dos lados da passagem, com a cabeça virada para o centro do edifício. Encontravam-se amarrados aos pilares de pedra que apoiavam o telhado. Entre os pilares podiam ver-se manjedouras em pedra, com 91.4 cm de comprimento.

O nível salomónico também incluía as ruínas de uma mansão, provavelmente a residência do governador provincial e outro edifício que os arqueólogos acreditam ser a residência do comandante. A porta norte da cidade deste nível merece uma menção especial porque mostra semelhanças com as portas descritas na visão que Ezequiel teve de um templo (Ez 40:20-23). Esta porta era praticamente idêntica em aparência e tamanho às estruturas de Hazor e Gezer, construídas na mesma altura, mostrando que tinham sido construídas pelo mesmo arquitecto, como se depreende de 1Rs 9:15, quando é dito que Salomão construiu, para além das muralhas de Jerusalém, também as de Hazor, Megido e Gezer. A cidade parece ter perdido a sua importância pouco depois do tempo de Acabe mas revivendo, sob a governação dos assírios, no século VIII AC, quando eles fizeram de Megido a sua capital provincial. O nível III deve ser atribuído às suas actividades de construção. Depois que terminou a ocupação assíria, Megido foi reconstruída como uma cidade aberta sem fortificações (nível II) e mais tarde um mero posto fortificado ao longo da estrada, tal como mostram as escavações do nível I. Entre 450 e 350 AC, o local foi finalmente abandonado.

Entre outras importantes descobertas feitas durante as escavações de Megido encontram-se: 1) um tesouro oculto de delicadas jóias e uma grande colecção de marfins belamente esculpidos pertencentes ao período pré-israelita, demonstrando o gosto artístico refinado dos artesãos cananeus; 2) um sistema de águas engenhoso e construído durante o reinado de Salomão. A partir de uma nascente subterrânea, que se situava fora das muralhas da cidade, foi cavado um túnel na direcção da cidade e que possuía 61 metros de comprimento. Construíram-se umas escadas com 25 metros de profundidade num grande poço vertical para melhor acessibilidade ao dito túnel. Deste modo, o povo de Megido tinha um melhor acesso à nascente em tempos de cerco; 3) templos cananeus e muitos objectos de culto; 4) um “escudo de David” gravado num bloco de pedra e pertencente ao nível salomónico; 5) capitéis proto-jónicos.






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